terça-feira, 26 de julho de 2011

Amy, Amy, Amy


Estou longe de entender de soul e estou longe de ser uma grande fã de Amy Winehouse. Mas o que dizer a respeito de uma das maiores estrelas que a nossa geração viu surgir e que também viu morrer, nesse sábado, entrando no clube das estrelas mortas aos 27 anos?

Amy foi a cantora mais verdadeira que surgiu na década passada. Utilizava poucas metáforas em suas letras, deixava seus sentimentos bem explícitos para aqueles que quisessem entende-los, e tinha talento. Uma voz afinada, grave, diferente, digna de grandes divas negras dos anos 50, em uma cantora branca, tímida e magrela dos anos 2000. E mesmo quem não gosta do estilo que a moça cantava tinha que admitir que ela, sozinha, abriu as portas para uma cena consistente de soul no Reino Unido. E apesar dessa voz nascida para o soul, a vida de Amy era punk: seu vício em drogas e sua aparência junkie não diferiam muito da de grandes ícones do estilo como Johnny Thunders, Stiv Bators e, para citar uma garota, Nancy Spungen (namorada do ícone máximo Sid Vicious).

O estilo pessoal da cantora também virou moda: o monte de cabelo no alto da cabeça e o delineador borrado pipocaram pelas passarelas e ruas do mundo inteiro, inspirados nas divas dos anos 50, enquanto suas tatuagens davam um ar de rebeldia. E, mais do que pela música e pelo estilo, Amy era notícia por causa de seus escândalos, na maioria das vezes motivados pelo vício em drogas e/ou por sua relação conturbada com o marido Blake Fielder-Civil. E embora a causa da morte ainda não seja oficialmente conhecida, eu acredito que tenha sido por overdose. Ela era uma garota tímida, e essa timidez era um charme, mas também era um veneno. Pessoas tímidas que tem o peso da fama sob seus ombros geralmente não conseguem lidar com a crueldade que a fama revela ter, e acabam buscando consolo em hábitos não muito saudáveis. Um exemplo foi Kurt Cobain.

Li por aí que o maior problema de Amy é que ela amava demais, e que isso a fazia sofrer muito. Concordo. Suas letras revelam sua dor sem metáforas, que sem o amor que ela esperava receber ela estava em um buraco negro de desespero. E uma forma de buscar alívio nesse buraco eram as drogas. Foi-se uma artista talentosíssima que tinha muito a nos oferecer ainda, mas sua alma torturada finalmente se libertou. Vai o corpo, fica o mito e também meu respeito eterno a ela. Que ouçamos sua música nos lembrando de como era maravilhosa e da sorte que tivemos em poder conhecer uma artista tão verdadeira e talentosa, e não nos lamentando por sua morte precoce. Aos fãs, suas lágrimas secarão sozinhas.

Deixo também a música que, em minha opinião, seria a música perfeita para o funeral de Amy: Back to Black. Boa noite.

Postado Por: Cathy

Amy, Amy, Amy

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